Reajuste da conta de luz 2026: quanto subiu em cada distribuidora e como calcular o impacto na sua

Tarifas e bandeirasEquipe Pagar Menos na LuzAtualizado em 25 de out. de 202610 min de leitura
Casal aposentado faz compras na feira livre do bairro

O reajuste da conta de luz em 2026 ficou acima da inflação em quase todas as distribuidoras. A Copel, no Paraná, teve o maior índice entre as grandes, 20,51%. A Enel Rio subiu 15,60%, a CPFL Paulista 12,13%, a Energisa Mato Grosso do Sul 12,10%, a Enel São Paulo 9,02% e a Light 8,60%. No outro extremo, Cemig (4,51%) e Neoenergia Pernambuco (4,25%) tiveram reajustes abaixo da inflação projetada do ano, de 5,1%. A ANEEL havia projetado aumento médio de 8% para 2026.

Isso aconteceu num ano em que a bandeira tarifária se comportou: verde até abril, amarela de maio a setembro e verde de novo em outubro. Ou seja, quem viu a conta subir em 2026 sem mudar nada em casa não deve procurar a bandeira. Deve procurar a data do reajuste da sua distribuidora na tabela abaixo.

Esta página é feita para durar: a tabela tem a data do levantamento, cada distribuidora que ainda não teve o índice confirmado está marcada como "a confirmar", e a conta de impacto funciona com qualquer índice. Em 2027 a tabela será trocada e esta versão vira histórico.

Tabela: reajuste da conta de luz 2026 por distribuidora

Índices de efeito médio aprovados pela ANEEL, conforme o levantamento consolidado do Canal Solar de 15/07/2026 e as notícias de homologação de cada distribuidora. O efeito médio é a média de todas as classes de consumidor; o efeito para a sua conta residencial pode ficar um pouco acima ou abaixo. Datas de vigência marcadas como "a confirmar" vieram de notícias e não de documento da ANEEL. Tabela conferida em 25/10/2026.

Distribuidora Estado Reajuste médio 2026 Vigência Energia por assinatura (Hive)
Copel PR 20,51% 24/06/2026 (revisão tarifária) Sim, 10%
CPFL Santa Cruz SP 18,89% abril/2026 Ainda não
RGE Sul RS 16,06% junho/2026 Não atende RS
Enel Rio RJ 15,60% a confirmar Ainda não
CPFL Paulista SP 12,13% abril/2026 Sim, 10%
Energisa Mato Grosso do Sul MS 12,10% a confirmar Sim, 15%
Energisa Minas Rio MG/RJ 11,27% a confirmar Só Cemig em MG
Energisa Sul-Sudeste SP 9,63% a confirmar Ainda não
Enel São Paulo SP 9,02% 04/07/2026 Ainda não
Light RJ 8,60% março/2026 Sim, 10%
Energisa Mato Grosso MT 6,86% a confirmar Sim, 15%
Neoenergia Coelba BA 5,80% a confirmar Sim, 12%
Enel Ceará CE 5,78% a confirmar Sim, 10%
Neoenergia Cosern RN 5,40% a confirmar Sim, 10%
Cemig MG 4,51% 28/05/2026 Sim, 20%
Neoenergia Pernambuco PE 4,25% a confirmar Sim, 12%
Equatorial Goiás GO a confirmar previsto para maio/2026 Sim, 15%
Equatorial Maranhão MA a confirmar a confirmar Sim, 10%
Equatorial Pará PA a confirmar a confirmar Sim, 10%
EDP São Paulo SP a confirmar a confirmar Sim, 10%
EDP Espírito Santo ES a confirmar a confirmar Sim, 8%
Neoenergia Elektro SP a confirmar a confirmar Sim, 10%
CPFL Piratininga SP a confirmar a confirmar Ainda não

Fora da nossa área, a lista de 2026 ainda tem Roraima Energia (24,13%, depois reduzido para cerca de 4%), Cocel 14,58%, Sulgipe 12,87%, Energisa Tocantins 8,11%, Energisa Sergipe 6,86%, Amazonas Energia 6,58%, Equatorial Alagoas 5,43% e CEA Equatorial 3,54%.

Uma divergência que você pode encontrar em outros sites: há notícias de abril com Enel SP em 10,18% e Light em 16,69%. Os valores da tabela são os da lista consolidada de julho, que reflete o que a ANEEL homologou. Quando a sua distribuidora reajusta, o número oficial sai na página de tarifas da ANEEL e vem impresso na própria conta, no campo de avisos.

Por que a conta de luz sobe mesmo com bandeira verde?

Torres de transmissão sobre telhados de bairro popular ao fim da tarde
Transmissão, encargos setoriais e perdas da rede entram no reajuste anual, não na bandeira.

A bandeira é um adicional temporário. O reajuste é permanente e vem de quatro lugares:

  1. Encargos setoriais, principalmente a CDE. A Conta de Desenvolvimento Energético financia a Tarifa Social, os subsídios à energia rural e de irrigação, o custo da geração nos sistemas isolados do Norte e parte dos descontos da geração distribuída. Ela é rateada entre todos os consumidores e cresceu em 2026. Foi o principal motivo citado pela ANEEL e pela imprensa para os reajustes de dois dígitos do Sul e do Sudeste.
  2. Custo da rede (fio B e TUSD). A parcela da tarifa que paga postes, fios, transformadores e a operação da distribuidora é revisada em reajuste e em revisão tarifária. A Copel passou por revisão tarifária periódica em 2026 (quando a ANEEL recalcula tudo, inclusive a remuneração dos investimentos), e por isso o índice foi tão alto.
  3. Custo da energia comprada. A distribuidora compra energia em leilões e contratos, parte deles em dólar (Itaipu). Câmbio, hidrologia e o preço dos contratos entram na TE, a Tarifa de Energia.
  4. Compensações de anos anteriores. Se no ano passado a distribuidora gastou mais do que a tarifa previa (bandeira insuficiente, inadimplência, energia mais cara), a diferença entra no reajuste seguinte. É por isso que o índice de uma distribuidora pode ser alto num ano e baixo no outro.

Os impostos (PIS, COFINS, ICMS) não mudam no reajuste, mas como são percentuais sobre o valor da energia, sobem junto em reais. E a iluminação pública tem reajuste próprio, da prefeitura.

Repare que nenhum desses quatro itens depende de você. O reajuste anual é aprovado pela ANEEL com data fixa por distribuidora, e você é cliente cativo: não escolhe de quem comprar energia. O que está na sua mão é quanto consumir e, hoje, quanto pagar pela parte da energia que pode ser compensada.

Como calcular o impacto do reajuste na sua conta

A conta é curta. O que sobe é o preço do kWh; o seu consumo é o mesmo. Então:

Impacto em reais = valor da energia da conta antiga × índice do reajuste

Pegue uma conta de antes do reajuste da sua distribuidora e ache o valor da energia (as linhas de consumo, TE e TUSD somadas; o artigo como ler a conta de luz mostra onde ficam). Multiplique pelo índice. A tabela abaixo faz isso para R$ 300 de energia por mês, com cada índice:

Distribuidora Reajuste R$ 300 de energia viram Diferença por mês Diferença em 12 meses
Copel 20,51% R$ 361,53 R$ 61,53 R$ 738,36
CPFL Santa Cruz 18,89% R$ 356,67 R$ 56,67 R$ 680,04
Enel Rio 15,60% R$ 346,80 R$ 46,80 R$ 561,60
CPFL Paulista 12,13% R$ 336,39 R$ 36,39 R$ 436,68
Energisa MS 12,10% R$ 336,30 R$ 36,30 R$ 435,60
Enel SP 9,02% R$ 327,06 R$ 27,06 R$ 324,72
Light 8,60% R$ 325,80 R$ 25,80 R$ 309,60
Energisa MT 6,86% R$ 320,58 R$ 20,58 R$ 246,96
Coelba 5,80% R$ 317,40 R$ 17,40 R$ 208,80
Enel CE 5,78% R$ 317,34 R$ 17,34 R$ 208,08
Cosern 5,40% R$ 316,20 R$ 16,20 R$ 194,40
Cemig 4,51% R$ 313,53 R$ 13,53 R$ 162,36
Neoenergia PE 4,25% R$ 312,75 R$ 12,75 R$ 153,00

Se a sua conta de energia é R$ 150, divida os valores por dois; se é R$ 600, multiplique. A iluminação pública fica de fora.

Conferindo pelo kWh, com a tarifa nova

O jeito mais preciso é usar a tarifa homologada. A tarifa residencial B1 da Copel, vigente em outubro de 2026, é de R$ 0,7680 por kWh antes de impostos (dados abertos da ANEEL). Dividindo por 1,2051, a tarifa de antes da revisão era de cerca de R$ 0,6373. Uma casa de 250 kWh:

Antes (jun/2026) Depois (out/2026)
Tarifa B1 sem impostos R$ 0,6373 R$ 0,7680
250 kWh R$ 159,33 R$ 192,00
Com PIS/COFINS de 4,5% e ICMS de 19% (premissa) R$ 208,27 R$ 250,98

São R$ 42,71 a mais por mês, R$ 512 por ano, com o mesmo consumo. As tarifas atuais de todas as distribuidoras que atendemos, com e sem impostos, estão em valor do kWh, e a tabela de consumo típico por tamanho de casa em quantos kWh gasta uma casa por mês.

Reajuste não é bandeira, e os dois se somam

Vale deixar os dois separados na cabeça, porque a imprensa mistura:

Numa casa de 250 kWh, a bandeira amarela custa R$ 4,71 antes de impostos. O reajuste da Copel custou R$ 32,67 na mesma casa. É dez vezes mais. Quando a conta subiu e o consumo é o mesmo, o reajuste é o primeiro suspeito; a bandeira do mês está em bandeira tarifária.

O que fazer com o reajuste

Mulher lava os filtros do ar-condicionado no tanque do quintal
Depois do reajuste, cada kWh economizado vale mais; a troca de lâmpadas é o primeiro passo barato.

Contestar não adianta: a conta está certa, só mais cara. Três coisas funcionam.

1. Reduzir o kWh. O reajuste multiplica o seu consumo; cada kWh a menos vale mais depois dele. Chuveiro, ar-condicionado e geladeira velha são os três lugares onde a redução é real; os números estão em o que gasta mais energia e as medidas em como economizar energia.

2. Verificar a Tarifa Social. Se a sua família está no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa, ou recebe BPC, a gratuidade até 80 kWh por mês vale mais do que qualquer outro desconto. Veja Tarifa Social de energia. Quem tem direito deve ficar nela, e não na assinatura.

3. Pagar menos pela energia compensada. A energia por assinatura usa a Lei 14.300/2022: uma usina solar injeta energia na rede da sua distribuidora, essa energia vira crédito na sua conta e você paga por ela com desconto de 10% a 20% conforme o estado (20% em Minas, 15% em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, 12% na Bahia e em Pernambuco, 10% em São Paulo, Rio, Paraná, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão e Pará, 8% no Espírito Santo). O detalhe que importa num ano de reajuste: o desconto é percentual sobre o preço da energia. Quando a tarifa sobe 20%, o desconto em reais sobe junto. Custo de disponibilidade, iluminação pública e tributos continuam na conta da distribuidora, então o desconto é sobre a parte compensada e não sobre a conta inteira; você passa a receber dois boletos cuja soma é menor que a conta antiga. Sem taxa de adesão, sem obra, sem placa, sem trocar de distribuidora. O primeiro crédito aparece de 60 a 90 dias depois do cadastro.

Um exemplo com a Copel: a casa de 250 kWh que passou a pagar R$ 250,98 de energia com impostos. Supondo ligação bifásica (50 kWh de custo de disponibilidade) e 200 kWh compensados, os 10% do Paraná abatem cerca de R$ 20 por mês. Não devolve o reajuste de R$ 42,71 inteiro, mas devolve quase metade, e segue valendo nos próximos reajustes. A conta aberta por estado está nas páginas de energia por assinatura no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

Quando esta tabela muda

Cada distribuidora tem uma data fixa de reajuste, e a ANEEL vota os índices ao longo do ano inteiro: Light em março, CPFL Paulista em abril, Cemig em maio, Copel em junho, Enel SP em julho, e assim por diante. A tabela desta página é atualizada quando um índice novo é homologado e quando as distribuidoras marcadas "a confirmar" tiverem número oficial. Em 2027 ela será substituída pela tabela do novo ciclo, e a de 2026 fica registrada para comparação. A data da última conferência está no topo da tabela.

O jeito de não depender da tabela: olhe o campo de avisos da sua conta no mês do reajuste. A distribuidora é obrigada a informar o índice e a data.

Perguntas frequentes

Qual foi o reajuste da conta de luz em 2026?

Variou por distribuidora. Entre as grandes, Copel 20,51%, CPFL Santa Cruz 18,89%, RGE Sul 16,06%, Enel Rio 15,60%, CPFL Paulista 12,13%, Energisa MS 12,10%, Enel SP 9,02%, Light 8,60%, Energisa MT 6,86%, Coelba 5,80%, Enel Ceará 5,78%, Cosern 5,40%, Cemig 4,51% e Neoenergia Pernambuco 4,25%, segundo o levantamento consolidado de julho de 2026. A ANEEL projetava média de 8%.

Por que a conta de luz subiu em 2026 se a bandeira estava verde?

Porque o reajuste anual da distribuidora é independente da bandeira. Em 2026 o principal fator foi o aumento dos encargos setoriais, em especial a CDE, somado ao custo da rede e, na Copel, à revisão tarifária periódica. A bandeira foi verde ou amarela o ano todo e pesou pouco.

Como calcular quanto o reajuste pesa na minha conta?

Multiplique o valor da energia da sua conta anterior ao reajuste pelo índice da sua distribuidora. R$ 300 de energia com reajuste de 12,13% (CPFL Paulista) viram R$ 336,39, ou R$ 36,39 a mais por mês. Para conferir pelo kWh, multiplique o seu consumo pela tarifa nova da distribuidora.

Reajuste e bandeira tarifária são a mesma coisa?

Não. O reajuste é anual, permanente e por distribuidora; a bandeira é mensal, nacional e temporária. Numa casa de 250 kWh, a bandeira amarela custa R$ 4,71 antes de impostos; o reajuste da Copel custou R$ 32,67 na mesma casa.

Dá para contestar o reajuste?

Não. O índice é aprovado pela ANEEL em processo público e vale para todos os clientes da distribuidora. Contestação serve para erro de leitura, cobrança pela média ou medidor com defeito, que são outros problemas.

A energia por assinatura protege do reajuste?

Em parte. O desconto é um percentual sobre a energia compensada (de 10% a 20% conforme o estado), então em reais ele cresce junto com a tarifa. Custo de disponibilidade, iluminação pública e tributos seguem na conta da distribuidora e sobem com o reajuste.

Quando será o reajuste da minha distribuidora em 2027?

Na mesma época de 2026, porque cada distribuidora tem data fixa: Light em março, CPFL Paulista em abril, Cemig em maio, Copel em junho, Enel SP em julho. A ANEEL publica a agenda de reajustes e o índice sai impresso na conta no mês em que passa a valer.

PL
Equipe Pagar Menos na Luz

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