Como economizar energia: 30 dicas para reduzir a conta de luz, da mais barata à que mais rende (2026)
Para economizar energia de verdade, ataque primeiro o que esquenta água e o que esfria ar: chuveiro elétrico e ar-condicionado respondem pela maior parte da conta de luz em quase toda casa brasileira. Depois vêm a geladeira, que fica ligada 24 horas, e só então as lâmpadas, o standby e os hábitos pequenos. A maioria das listas de dicas inverte essa ordem e começa por apagar a luz do corredor, que vale R$ 2 por mês.
Este artigo faz diferente: são 30 dicas ordenadas pelo que cada uma devolve em reais por mês, com a premissa de cada conta aberta. Para comparar tudo na mesma régua, usei a tarifa de R$ 0,90 por kWh, perto da mediana das distribuidoras em outubro de 2026 (a Cemig cobra R$ 0,9033 por kWh na tarifa residencial, ANEEL). Se a sua tarifa é outra, pegue o kWh de cada dica e multiplique pelo valor que está na sua conta.
Aqui no Pagar Menos na Luz a gente trabalha com energia por assinatura, e ela aparece na lista como uma dica, no meio, com a mesma régua das outras: quanto rende, com qual premissa, quando não vale.
Quais são os vilões da conta de luz?
Antes das dicas, o mapa. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima o consumo médio anual dos principais aparelhos por domicílio brasileiro. Convertido para mês e para reais a R$ 0,90 por kWh:
| Aparelho | kWh por ano (EPE) | kWh por mês | R$ por mês a R$ 0,90 |
|---|---|---|---|
| Chuveiro elétrico | 1.609 | 134 | R$ 120,68 |
| Geladeira | 368 | 31 | R$ 27,60 |
| Ar-condicionado | 106 | 9 | R$ 7,95 |
O ar-condicionado aparece baixo porque a média inclui as casas que não têm ar. Numa casa com um split de 12.000 BTUs ligado 8 horas por noite, ele consome cerca de 264 kWh por mês, duas vezes o chuveiro de uma família de 4. O ranking completo, com as premissas de cada aparelho, está em o que gasta mais energia.
As 30 dicas, da que vale menos à que vale mais
Cada dica traz a economia estimada por mês e a premissa que gerou o número. Quando exige comprar algo, está marcado.
1. Tirar o carregador da tomada (R$ 0,13 por mês)
Carregador moderno sem celular consome cerca de 0,2 W. Em 24 horas por 30 dias, são 0,14 kWh. Faça por segurança, não por economia.
2. Juntar a roupa e passar de uma vez por semana (R$ 2,16)
Ferro de 1.200 W. Três sessões de 30 minutos por semana somam 7,2 kWh por mês; uma sessão de 1 hora por semana, 4,8 kWh. O ferro gasta mais esquentando.
3. Apagar a luz do cômodo vazio (R$ 2,19)
Três lâmpadas LED de 9 W acesas à toa por 3 horas ao dia dão 2,43 kWh por mês. Com LED, a luz esquecida custa pouco.
4. Cuidar da geladeira: borracha, parede e comida quente (R$ 4,05)
Geladeira duplex com selo A gasta por volta de 45 kWh por mês pela etiqueta do Inmetro. Borracha vedando, 10 cm livres atrás, comida fria antes de guardar e termostato no mínimo necessário cortam uns 10% disso (estimativa).
5. Deixar o cabelo secar sozinho em metade dos dias (R$ 4,05)
Secador de 1.800 W por 10 minutos ao dia dá 9 kWh por mês. Metade dos dias sem secador, metade da conta.
6. Lavar roupa só com a máquina cheia (R$ 5,40)
Máquina de 12 kg sem aquecimento gasta cerca de 0,75 kWh por ciclo. Juntar roupa e cair de 20 para 12 ciclos por mês economiza 6 kWh. Vale mais em água do que em luz.
7. Desligar a TV que ninguém está vendo (R$ 5,40)
TV LED de 50 polegadas puxa uns 100 W. Duas horas por dia para ninguém, 30 dias, 6 kWh.
8. Requentar no micro-ondas, não no forno elétrico (R$ 7,20)
Forno elétrico de 1.500 W por 20 minutos gasta 0,5 kWh. Micro-ondas de 1.200 W por 5 minutos, 0,1 kWh. Vinte vezes por mês, a diferença dá 8 kWh.
9. Trocar fluorescente compacta por LED (R$ 8,10)
Se as suas lâmpadas já são fluorescentes compactas de 15 W, o LED de 9 W economiza 6 W por lâmpada. Dez lâmpadas por 5 horas ao dia dão 9 kWh por mês. É pouco, e é por isso que a dica 23 existe separada.
10. Airfryer no lugar do forno para porção pequena (R$ 8,44)
Forno de 1.500 W pré-aquecendo e assando por 40 minutos gasta 1 kWh. Airfryer de 1.500 W faz a mesma porção em 15 minutos, 0,375 kWh. Quinze vezes por mês, 9,4 kWh. Só se você já tem a airfryer.
11. Torneira elétrica só quando precisa de água quente (R$ 11,25)
Torneira de 5.000 W por 10 minutos ao dia consome 25 kWh por mês. No calor, lavar louça na água fria metade das vezes corta metade disso.
12. Tirar da tomada o que fica em standby (R$ 12,96)
Dez aparelhos a 2 W cada, 24 horas, 30 dias: 14,4 kWh. Numa conta de 250 kWh isso é menos de 6%, não os "12%" que circulam. Uma régua com botão resolve TV, videogame, micro-ondas e som de uma vez.
13. Exigir selo Procel A em qualquer aparelho novo (R$ 18,00)
Quando for trocar, compare a etiqueta do Inmetro: ela traz o kWh por mês. Uma geladeira de classe C com 65 kWh contra uma A com 45 kWh são 20 kWh por mês de diferença pelos próximos 10 anos.
14. Fechar o chuveiro enquanto ensaboa (R$ 19,80)
Chuveiro de 5.500 W. Dois minutos de água desligada por banho, 4 pessoas, 30 dias: 4 horas de chuveiro a menos, 22 kWh.
15. Ar-condicionado com porta, janela e cortina fechadas (R$ 23,76)
Split de 12.000 BTUs convencional, 8 horas por noite, 264 kWh por mês. Fresta aberta e sol na janela fazem o compressor trabalhar mais; 10% é estimativa conservadora, 26 kWh.
16. Chuveiro na posição verão ou morno (R$ 23,76)
A posição inverno gasta cerca de 30% a mais que a verão, número que Cemig, Enel e Neoenergia repetem. Família de 4 com banhos de 8 minutos a 5.500 W consome 88 kWh por mês; 30% são 26 kWh. Nos meses quentes, custo zero.
17. Varal no lugar da secadora (R$ 32,40)
Secadora de 3.000 W por 1 hora, 12 vezes por mês: 36 kWh. Em dia de sol, o varal faz de graça.
18. Energia por assinatura: a dica que não depende de mudar hábito (R$ 24 a R$ 49)
Todas as outras dicas pedem que alguém na casa mude alguma coisa, todo dia, para sempre. Esta não. Na energia por assinatura, uma usina solar entrega energia na rede da sua distribuidora e essa energia vira crédito na sua conta, com desconto de 10% a 20% conforme o estado. Não tem placa, obra, taxa de adesão nem troca de distribuidora. É a geração distribuída compartilhada da Lei 14.300/2022.
A conta, com a premissa aberta: casa de 300 kWh por mês. Tiram-se 30 kWh do custo de disponibilidade, que ficam na distribuidora. Sobram 270 kWh compensáveis, R$ 243 a R$ 0,90. Com 10% de desconto, R$ 24,30 por mês; com 20%, como em Minas Gerais, R$ 48,60.
O que precisa ficar claro antes: você passa a receber dois boletos, o da distribuidora, menor, e o da usina, com desconto, e a soma dos dois é menor que a conta antiga. O desconto começa de 60 a 90 dias depois da assinatura. A saída não tem multa, mas tem aviso prévio de 90 dias. Não acumula com a Tarifa Social (dica 25). E conta abaixo de R$ 150 a R$ 200 por mês não compensa, porque a parte compensável fica pequena.
19. Ar-condicionado a 23 °C, não a 18 °C (R$ 41,58)
Cada grau abaixo de 23 °C sobe o consumo em até 3,5%, segundo a Abrava. Cinco graus são 17,5% de 264 kWh: 46 kWh por mês. Custo zero, e você dorme melhor.
20. Desligar o segundo freezer ou a geladeira velha da área (R$ 43,20)
Freezer horizontal antigo com compressor de 200 W rodando 8 horas por dia consome 48 kWh por mês. Se ele guarda duas garrafas e um saco de gelo, está custando mais que o conteúdo.
21. Trocar a geladeira com mais de 15 anos (R$ 49,50, com investimento)
Geladeira velha consome perto de 100 kWh por mês; uma duplex A, 45 kWh. Geladeira nova de R$ 2.500 se paga em pouco mais de 4 anos só na luz.
22. Programar o ar para desligar 2 horas antes de acordar (R$ 59,40)
De 8 para 6 horas por noite, o split de 12.000 BTUs convencional cai de 264 para 198 kWh. O quarto já está frio; o timer faz o resto. Custo zero.
23. Trocar incandescente por LED (R$ 68,85, com investimento pequeno)
Se ainda há incandescentes de 60 W na casa, o LED de 9 W corta 85% do consumo de cada uma. Dez lâmpadas por 5 horas ao dia: 76,5 kWh por mês. É daqui que vem o "LED economiza 80%"; ele só vale contra incandescente. Contra fluorescente, é a dica 9. Mais em lâmpada LED economiza quanto.
24. Banho de 8 minutos em vez de 15 (R$ 69,30)
Chuveiro de 5.500 W, 4 pessoas, 7 minutos a menos por banho, 30 dias: 14 horas de chuveiro, 77 kWh. É a dica de hábito que mais rende em casa sem ar-condicionado. Um relógio no box ajuda mais que sermão.
25. Tarifa Social, para quem tem direito (até R$ 72)
Famílias inscritas no CadÚnico com renda por pessoa de até meio salário mínimo têm direito à Tarifa Social. Em 2026, o programa Luz do Povo do Ministério de Minas e Energia dá gratuidade até 80 kWh por mês: a R$ 0,90, são R$ 72. Se você tem direito e não está, peça na distribuidora. O passo a passo está em Tarifa Social de energia.
26. Ventilador nas noites amenas (R$ 72,00)
Ventilador de 100 W por 8 horas gasta 0,8 kWh por noite; o split convencional de 12.000 BTUs, 8,8 kWh. Trocar um pelo outro em 10 noites por mês economiza 80 kWh.
27. Aquecedor solar de água (R$ 79,20, com investimento)
Elimina quase todo o chuveiro elétrico: 88 kWh por mês para uma família de 4 com banhos de 8 minutos. Sistema com boiler custa alguns milhares de reais, precisa de telhado e se paga em 3 a 5 anos.
28. Trocar o ar convencional por inverter (R$ 120,60, com investimento)
O inverter de 12.000 BTUs consome perto da metade do convencional no uso contínuo: cerca de 130 kWh contra 264 por mês, 8 horas por noite. Aparelho de R$ 2.500 a R$ 3.500 se paga em 2 a 3 anos para quem usa todo dia; para quem usa pouco, leva mais de 5.
29. Placa solar própria (cerca de R$ 240, com investimento alto)
Para quem tem casa própria, telhado e R$ 12 mil a R$ 20 mil, o sistema próprio zera a parte compensável da conta. Numa casa de 300 kWh, sobram só o custo de disponibilidade e a iluminação pública, uns R$ 50 a R$ 60. Se paga em 4 a 6 anos. Quem mora de aluguel ou em apartamento não consegue, e é para esse público que existe a dica 18.
30. Procurar fuga de energia e erro de leitura (de R$ 0 a mais de R$ 100)
Desligue todos os disjuntores e olhe o medidor: se a luz vermelha continuar piscando ou o disco girar, há fuga na instalação. Confira também se a leitura da conta bate com o medidor. Nove em dez casas não têm nada; na décima, essa é a dica que vale mais que todas as outras somadas. O roteiro está em fuga de energia.
Os mitos, com número
"Standby é 10% a 12% da conta." Numa casa de 250 kWh, isso seriam 25 a 30 kWh por mês, o equivalente a 35 a 40 W ligados 24 horas por dia. Dez aparelhos modernos em standby somam uns 20 W, 14,4 kWh, menos de 6%. Tire da tomada, mas não espere milagre.
"LED economiza 80%." Contra incandescente, 85%. Contra fluorescente compacta, que é o que a maioria das casas tem desde 2015, 40%, ou R$ 8 por mês em dez lâmpadas. A dica continua boa; a expectativa é que estava errada.
"Energia é mais cara das 18h às 21h." Só para quem está na Tarifa Branca, que é opcional. Na tarifa convencional, o kWh custa o mesmo às 3 da manhã e às 7 da noite. A troca só compensa para quem consegue tirar o chuveiro e a máquina do fim da tarde.
"Economizador de energia de tomada corta 30%." Não corta. Esses aparelhos mexem no fator de potência, que a distribuidora não cobra de residência. O Inmetro já testou esse tipo de produto e não encontrou a economia prometida.
"Chuveiro na posição verão resolve." Resolve 30% do chuveiro. O banho de 15 minutos continua sendo o maior gasto da casa.
Por onde começar
Se a sua casa tem ar-condicionado, comece pelas dicas 19, 22 e 26. Se não tem, pela 24 e pela 16. Veja se a 25 vale para a sua família, faça a simulação da 18, e só então vá para as pequenas. Cinco decisões atacam 80% da conta.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor maneira de economizar energia em casa?
Encurtar o banho e controlar o ar-condicionado. Banho de 8 minutos numa família de 4 economiza perto de R$ 70 por mês; ar a 23 °C com timer, R$ 100. O resto da lista soma menos que essas duas.
O que mais gasta energia em casa?
Chuveiro elétrico, com 1.609 kWh por ano na média da EPE, seguido da geladeira, com 368. Onde há ar-condicionado em uso diário, ele passa o chuveiro: um split de 12.000 BTUs por 8 horas consome 264 kWh por mês, contra 110 do chuveiro de uma família de 4.
Tirar os aparelhos da tomada economiza mesmo?
Economiza pouco. Dez aparelhos em standby somam cerca de 14 kWh por mês, R$ 13 a R$ 0,90 por kWh. Vale fazer com uma régua, mas é menos de 6% de uma conta de 250 kWh, não os 10% a 12% que circulam.
Dá para reduzir a conta de luz em 40% ou 50% só com hábito?
Só em casa que usa muito ar-condicionado e chuveiro longo. Para a maioria, 20% a 30% é o teto realista somando banho curto, ar a 23 °C, geladeira cuidada e standby. A energia por assinatura soma mais 10% a 20% sobre a parte compensável sem mudar hábito, e a placa própria, para quem pode investir, chega perto de zerar essa parte.
Energia por assinatura economiza quanto na conta de luz?
De 10% a 20% sobre a energia compensada, conforme o estado. Numa casa de 300 kWh, isso dá de R$ 24 a R$ 49 por mês a R$ 0,90 por kWh. O desconto começa de 60 a 90 dias depois do cadastro e não vale para quem tem Tarifa Social.
Comece pela água quente e pelo ar frio, confira se a Tarifa Social é sua, faça a simulação da assinatura com a conta na mão e deixe o carregador em paz. É assim que a conta cai de verdade, e fica caída.
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