Quantos kWh gasta uma casa por mês? Médias por tamanho de família e como saber se você está acima

Uma casa brasileira gasta, em média, 179,1 kWh por mês. Esse é o consumo médio por consumidor residencial de 2024, o dado oficial mais recente consolidado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025. Por região, a média vai de 136,2 kWh no Nordeste a 220,3 kWh no Norte, com Sudeste em 183,8, Sul em 208,0 e Centro-Oeste em 215,1 kWh por mês. Os dados preliminares de 2025, do Anuário 2026, mostram as regiões quase no mesmo lugar e uma leve queda nacional.
Mas a média do país serve pouco para a sua casa, porque mistura o apartamento de uma pessoa com a casa de cinco e três ar-condicionados. O que decide o seu consumo é quantas pessoas tomam banho quente, se tem ar-condicionado e quantas horas ele fica ligado, e a idade da geladeira. Por isso este artigo traz, além da média oficial, perfis por tamanho de família com as premissas abertas, o teste para saber se você está acima do normal e a tabela "kWh × tarifa = conta" para 100, 200, 300 e 500 kWh.
Uma ressalva de honestidade: os perfis por família são estimativas montadas aqui no Pagar Menos na Luz com a potência dos aparelhos e tempos de uso típicos. Não existe estatística oficial de consumo por número de moradores no Brasil. O que é oficial está marcado como EPE; o resto é conta aberta, que você pode refazer com os seus números.
Qual é o consumo médio de energia residencial no Brasil?
A EPE publica todo ano o consumo médio por consumidor residencial (CMC), que é o consumo total da classe residencial dividido pelo número de unidades consumidoras. Os números das duas últimas edições:
| Região | 2024 (Anuário 2025) | 2025 (Anuário 2026) | Variação |
|---|---|---|---|
| Brasil | 179,1 kWh/mês | leve queda (cerca de 0,3%) | |
| Norte | 220,3 kWh/mês | 214,8 kWh/mês | −2,5% |
| Nordeste | 136,2 kWh/mês | 134,9 kWh/mês | −1,0% |
| Sudeste | 183,8 kWh/mês | 183,3 kWh/mês | −1,1% |
| Sul | 208,0 kWh/mês | 216,8 kWh/mês | +3,8% |
| Centro-Oeste | 215,1 kWh/mês | 215,4 kWh/mês | +0,1% |
Fonte: EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025 (ano-base 2024) e 2026 (ano-base 2025). O consumo residencial total do país foi de 176,5 TWh em 2024 e 179,6 TWh em 2025. Em 2024 o consumo médio por casa tinha subido 4,7% em um ano, puxado pelo calor; em 2025 ficou estável.
Dois cuidados ao usar esses números. Primeiro, a média inclui casas com Tarifa Social e consumo muito baixo, imóveis vazios faturados pelo mínimo e casas grandes, então a casa "típica" de classe média fica acima dela. Segundo, Norte e Centro-Oeste consomem mais por causa do ar-condicionado, não por desperdício; no Nordeste o número baixo reflete renda e uma parcela grande de famílias na Tarifa Social. Compare a sua casa com a sua região e com casas parecidas, não com o Brasil.
Quantos kWh gasta uma casa por mês, por perfil

Os perfis abaixo somam os aparelhos que mais pesam, com potência e tempo de uso declarados. A conta de cada aparelho é potência (W) × horas por dia × 30 ÷ 1.000. Geladeira e iluminação são consumo de base; chuveiro e ar-condicionado são o que separa um perfil do outro.
| Perfil | Chuveiro (5.500 W) | Geladeira | Ar-condicionado | TV, roteador, lâmpadas, lavar roupa, micro-ondas | Total estimado |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 pessoa, apartamento, sem ar | 8 min/dia: 22 kWh | 1 porta, selo A: 25 kWh | não tem | 35 kWh | 80 a 100 kWh |
| Casal, sem ar | 2 × 8 min: 44 kWh | duplex, selo A: 45 kWh | não tem | 50 kWh | 140 a 160 kWh |
| Casal com ar no quarto | 44 kWh | 45 kWh | 9.000 BTU inverter, 8 h/noite, 20 dias: 70 kWh | 50 kWh | 210 a 240 kWh |
| Família de 4, sem ar | 4 × 8 min: 88 kWh | duplex, selo A: 45 kWh | não tem | 80 kWh | 210 a 240 kWh |
| Família de 4 com ar em 1 quarto | 88 kWh | 45 kWh | 12.000 BTU inverter, 8 h/noite, 25 dias: 110 kWh | 80 kWh | 320 a 350 kWh |
| Família de 4 com 2 ares e geladeira velha | 88 kWh | antiga: 90 kWh | 2 × 12.000 BTU, 8 h, 25 dias: 220 kWh | 90 kWh | 480 a 520 kWh |
| Casa com ar no verão o dia todo (Norte, Centro-Oeste) | 88 kWh | 45 kWh | 12.000 BTU, 14 h/dia, 30 dias: 230 kWh | 80 kWh | 430 a 470 kWh |
Premissas: chuveiro de 5.500 W a 8 minutos por pessoa por dia (banho de 8 minutos é a média de quem não demora; 15 minutos dobra a linha); ar inverter a metade da potência nominal como média de uma noite inteira; geladeira pela etiqueta do Inmetro; "outros" inclui TV 4 h/dia, roteador 24 h, 10 lâmpadas LED 4 h, máquina de lavar 3 ciclos por semana, micro-ondas e carregadores. Os consumos por aparelho estão linha a linha em o que gasta mais energia.
Três leituras rápidas da tabela:
- O chuveiro é o que mais cresce com o número de pessoas. Cada morador a mais são uns 22 kWh por mês só de banho. Família de 4 que demora 15 minutos no banho chega a 165 kWh só de chuveiro.
- O ar-condicionado é o que mais cresce com o clima. Um único aparelho de 12.000 BTU por 8 horas por noite vale uma família inteira de banhos. Dois aparelhos, ou um ligado o dia todo, empurram a casa para a faixa de 450 a 500 kWh.
- Geladeira velha custa o mesmo que um ar. Uma geladeira de 15 anos a 90 kWh por mês contra 45 kWh de uma duplex selo A: a diferença de 45 kWh por mês paga a geladeira nova em poucos anos.
O mínimo que você paga: custo de disponibilidade
Mesmo que a sua casa consuma menos que isso, a distribuidora fatura um mínimo, chamado custo de disponibilidade: 30 kWh na ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica. Casa de praia fechada, apartamento vazio, kitnet de quem passa o dia fora: a conta nunca fica abaixo desse piso.
| Ligação | Mínimo faturado | Na tarifa mediana (R$ 0,8142), sem impostos | Com impostos (premissa de 4,5% + 18%) |
|---|---|---|---|
| Monofásica | 30 kWh | R$ 24,43 | R$ 31,52 |
| Bifásica | 50 kWh | R$ 40,71 | R$ 52,53 |
| Trifásica | 100 kWh | R$ 81,42 | R$ 105,06 |
Mais a iluminação pública da prefeitura. Isso importa para dois públicos: quem mora sozinho e consome 60 kWh numa ligação trifásica paga por 100, e vale pedir à distribuidora a mudança para monofásica se a carga permitir; e quem pensa em energia por assinatura precisa saber que esse mínimo não entra no desconto, porque a distribuidora segue cobrando esses kWh mesmo com crédito.
Como saber se o seu consumo está acima do normal

Em vez de comparar com a média do Brasil, faça quatro testes com a sua conta:
- kWh por pessoa. Divida o consumo do mês pelo número de moradores. Sem ar-condicionado, entre 50 e 80 kWh por pessoa é a faixa comum; com ar, de 80 a 130. Acima de 130 kWh por pessoa sem ar-condicionado, procure a causa.
- Mesmo mês do ano passado. O histórico de 12 meses impresso na conta é o melhor comparador que existe. Fevereiro com fevereiro, julho com julho. Diferença acima de 20% sem mudança na casa pede investigação.
- Média diária. Divida o kWh pelos dias do ciclo (está na conta). Um ciclo de 33 dias parece 10% mais caro que um de 30 sem nenhum motivo real. A média diária corrige isso.
- Consumo com tudo desligado. Desligue tudo, deixe só a geladeira, e olhe o medidor por 10 minutos. Se o disco gira ou a luz pisca rápido, há fuga ou aparelho escondido. O passo a passo está em como ler o medidor de energia e em fuga de energia.
Sinais de que a conta subiu por preço e não por consumo: o kWh da conta é parecido com o de antes e o valor em reais subiu. Em 2026 isso aconteceu em quase todas as distribuidoras por causa do reajuste anual (Copel 20,51%, Enel Rio 15,60%, CPFL Paulista 12,13%). O diagnóstico completo está em conta de luz muito alta.
E um aviso para quem está na faixa de 80 kWh ou menos: se a sua família está no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa, você pode ter direito à Tarifa Social, que zera a tarifa até 80 kWh por mês. Veja Tarifa Social de energia.
Tabela: kWh × tarifa = conta de luz
Quanto cada faixa de consumo custa em 2026, com a tarifa residencial B1 mediana do país (R$ 0,8142 por kWh sem impostos, ANEEL, out/2026) e com três distribuidoras de referência. A coluna "com impostos" usa PIS/COFINS de 4,5% e ICMS de 18% (premissa; a alíquota do seu estado está em valor do kWh). Iluminação pública e bandeira ficam de fora; outubro de 2026 é mês de bandeira verde.
| Consumo | Mediana, sem impostos | Mediana, com impostos | Cemig (MG), com impostos | CPFL Paulista (SP), com impostos | Energisa MS, com impostos |
|---|---|---|---|---|---|
| 100 kWh | R$ 81,42 | R$ 105,06 | R$ 116,55 | R$ 95,42 | R$ 125,68 |
| 200 kWh | R$ 162,84 | R$ 210,12 | R$ 233,11 | R$ 190,84 | R$ 251,36 |
| 300 kWh | R$ 244,26 | R$ 315,17 | R$ 349,66 | R$ 286,26 | R$ 377,04 |
| 500 kWh | R$ 407,10 | R$ 525,29 | R$ 582,77 | R$ 477,10 | R$ 628,41 |
Tarifas: Cemig R$ 0,9033, CPFL Paulista R$ 0,7395, Energisa MS R$ 0,9866 por kWh sem impostos; ICMS de 18% em MG e SP (acima de 200 kWh) e 17% em MS. Para a sua distribuidora, multiplique o kWh pelo valor com impostos da tabela de valor do kWh e some a CIP da sua cidade.
Cruzando as duas tabelas: a família de 4 com ar em um quarto (cerca de 330 kWh) paga uns R$ 350 por mês na mediana com impostos, mais a CIP; na Cemig, uns R$ 385; na CPFL Paulista, uns R$ 315. É por isso que "minha conta é R$ 400, é normal?" não tem resposta sem saber o estado e o kWh.
O que fazer com esse número
Se você está acima do perfil da sua casa, a redução mais rápida está no banho (minutos e temperatura), no ar-condicionado (23 °C, filtro limpo, porta fechada, inverter) e na troca da geladeira velha. As medidas estão em como economizar energia.
Se você está dentro do perfil e a conta ainda pesa, o problema é o preço do kWh, e aí consumo não resolve. A energia por assinatura abate de 10% a 20%, conforme o estado, do preço da energia compensada, sem placa, sem obra e sem taxa de entrada; o custo de disponibilidade, a CIP e os tributos da parte não compensada continuam na distribuidora. Para a família de 330 kWh em Minas, com ligação bifásica, são uns 280 kWh compensados e um abatimento de cerca de R$ 65 por mês nos 20% do estado; em São Paulo, com 10%, uns R$ 27. Vale mais para quem consome mais; para contas na faixa dos 100 kWh ou menos, a parte compensável fica pequena diante do mínimo e a assinatura compensa pouco. A calculadora cruza o seu kWh com a tarifa da sua distribuidora e mostra a linha "quanto a assinatura abateria".
Perguntas frequentes
Qual o consumo médio de energia de uma casa no Brasil?
179,1 kWh por mês por consumidor residencial em 2024, segundo o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025 da EPE. Por região: Norte 220,3, Centro-Oeste 215,1, Sul 208,0, Sudeste 183,8 e Nordeste 136,2 kWh por mês. Os dados de 2025 mostram as regiões quase no mesmo lugar.
Quantos kWh gasta uma pessoa sozinha por mês?
De 80 a 100 kWh num apartamento sem ar-condicionado, considerando banho de 8 minutos, geladeira de uma porta selo A, TV, roteador, lâmpadas LED e máquina de lavar. Com ar-condicionado no quarto, de 150 a 180 kWh. É estimativa com premissas abertas, não estatística oficial.
Quantos kWh gasta uma família de 4 pessoas?
De 210 a 240 kWh sem ar-condicionado e de 320 a 350 kWh com um ar de 12.000 BTU inverter por 8 horas por noite. Com dois aparelhos e geladeira velha passa de 480 kWh. O chuveiro responde por uns 88 kWh em qualquer um desses cenários.
Quanto o ar-condicionado aumenta o consumo da casa?
Um aparelho de 12.000 BTU inverter por 8 horas por noite, 25 dias no mês, soma cerca de 110 kWh. Ligado 14 horas por dia, 230 kWh. É o aparelho que mais separa uma casa de 200 kWh de uma de 450. A tabela por BTU está em quanto gasta ar-condicionado.
Como saber se minha conta de luz está alta para 2 pessoas?
Divida o kWh por 2. Sem ar-condicionado, de 50 a 80 kWh por pessoa é comum; um casal entre 140 e 160 kWh está dentro do esperado. Acima de 250 kWh para duas pessoas sem ar, confira chuveiro, geladeira velha e fuga de energia, e compare com o mesmo mês do ano anterior.
Quanto custa 100, 200, 300 e 500 kWh em 2026?
Na tarifa mediana do país com impostos (premissa de ICMS 18%): R$ 105, R$ 210, R$ 315 e R$ 525, mais a iluminação pública. Na Cemig, R$ 117, R$ 233, R$ 350 e R$ 583. Na CPFL Paulista, R$ 95, R$ 191, R$ 286 e R$ 477.
Existe um consumo mínimo na conta de luz?
Sim, o custo de disponibilidade: 30 kWh na ligação monofásica, 50 na bifásica e 100 na trifásica. Quem consome menos paga o mínimo. Com energia por assinatura, a distribuidora continua faturando pelo menos esses kWh, por isso a conta dela nunca zera.
Energia por assinatura compensa para quem consome pouco?
Pouco. O desconto incide sobre a energia compensada, e numa casa de 100 kWh monofásica só uns 70 kWh são compensáveis; a economia fica na casa dos R$ 6 a R$ 16 por mês, conforme o estado. A partir de uns 200 kWh a conta começa a fazer sentido, e quem tem direito à Tarifa Social deve ficar nela.
Site mantido por um licenciado independente da Hive Energy. Escrevemos sobre conta de luz, tarifas e energia por assinatura com a conta aberta: a premissa de cada número e a fonte de cada tarifa. Saiba mais.
- https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/anuario-estatistico-de-energia-eletrica
- https://www.epe.gov.br/sites-pt/areas-de-atuacao/energia-eletrica/WorkshopCOPAM/[EPE]%20Anuario%20Estatistico%202025%20II%20COPAM_06-2025.pdf
- https://conceg.com.br/anuario-traz-raio-x-do-consumo-medio-de-energia-eletrica-nas-cinco-regioes-do-pais/
- https://sunara.com.br/blog/tarifa-energia-por-distribuidora
- https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/tarifas



