Como economizar energia no verão: ar-condicionado x ventilador, bandeira tarifária e o plano de dezembro a março (2026)

Economizar energiaEquipe Pagar Menos na LuzAtualizado em 25 de out. de 202610 min de leitura
Mulher em apartamento quente com ar-condicionado e ventilador de teto ligados

Para economizar energia no verão, trate o ar-condicionado como o que ele é: o aparelho que, sozinho, pode custar mais que o resto da casa. Um split de 12.000 BTUs convencional ligado 8 horas por noite consome 264 kWh por mês, R$ 237,60 a R$ 0,90 por kWh. Um ventilador pelas mesmas 8 horas consome 24 kWh, R$ 21,60. Entre um e outro existe o meio-termo que a maioria das casas não usa: o ar a 23 °C, com timer e porta fechada, que corta um terço do consumo sem ninguém passar calor.

Este artigo é sobre dezembro a março, quando a conta de luz da casa com ar sobe 50% ou mais e a bandeira tarifária costuma apertar. Os números usam a tarifa de R$ 0,90 por kWh, perto da mediana das distribuidoras em outubro de 2026 (a Cemig cobra R$ 0,9033 por kWh na tarifa residencial B1, ANEEL). As dicas de ano inteiro, as 30 em ordem de impacto, estão em como economizar energia; aqui entra só o que muda no calor.

Aqui no Pagar Menos na Luz a gente trabalha com energia por assinatura. No verão ela tem um efeito que vale explicar na seção da bandeira: a parte da conta que vira crédito deixa de pagar o adicional.

Ar-condicionado ou ventilador: qual gasta mais, com a conta

Ar-condicionado split e ventilador de coluna no mesmo quarto
Um ventilador gasta de 10 a 20 vezes menos que o ar-condicionado na mesma hora de uso.

O ar gasta de 5 a 11 vezes mais que o ventilador pelo mesmo tempo. A tabela mostra uma noite de 8 horas e um mês de 30 noites.

Aparelho Potência kWh por noite (8 h) kWh por mês R$ por mês a R$ 0,90
Ventilador de mesa ou coluna 100 W 0,8 24 R$ 21,60
Ventilador de teto 70 W 0,56 17 R$ 15,12
Climatizador evaporativo 150 W 1,2 36 R$ 32,40
Ar 9.000 BTUs inverter (média em regime) ~450 W 3,6 108 R$ 97,20
Ar 12.000 BTUs inverter (média em regime) ~550 W 4,4 132 R$ 118,80
Ar 12.000 BTUs convencional 1.100 W 8,8 264 R$ 237,60
Ar 18.000 BTUs convencional 1.800 W 14,4 432 R$ 388,80

Três avisos. O inverter não tem potência fixa: puxa a nominal até gelar o quarto e depois cai para 30% a 50%; a linha usa metade da nominal como média da noite. O climatizador evaporativo só funciona em clima seco; no litoral úmido ele só molha o ar. E o ventilador não esfria o ar, esfria a pele: numa noite de 30 °C com umidade alta, ele não resolve.

A escolha prática: ventilador nas noites até uns 27 °C, ar nas noites acima disso. Numa casa que troca o ar pelo ventilador em 10 das 30 noites, a economia é de 80 kWh, R$ 72 por mês. É a dica que mais rende no verão de quem tem ar convencional; a comparação completa está em quanto gasta um ar-condicionado.

Os quatro ajustes do ar que cortam um terço sem desligar

Quem precisa do ar todas as noites não vai economizar desligando. Vai economizar ajustando. Os quatro itens abaixo, no split convencional de 12.000 BTUs por 8 horas (264 kWh), somam uns 125 kWh, R$ 112 por mês.

  1. Timer para desligar 2 horas antes de acordar. De 8 para 6 horas, o consumo cai de 264 para 198 kWh. O quarto já está frio às 5 da manhã. Economia: 66 kWh.
  2. 23 °C, não 18 °C. Cada grau abaixo de 23 °C sobe o consumo em até 3,5%, segundo a Abrava. Cinco graus são 17,5%: dos 198 kWh, mais 35 a menos. O corpo não sente diferença entre 21 °C e 23 °C depois de dez minutos; a conta sente.
  3. Porta, janela e cortina fechadas. Fresta na porta e sol batendo na janela à tarde fazem o compressor rodar mais; 10% é estimativa conservadora, 16 kWh. Feche a cortina às 14h, não às 20h.
  4. Filtro limpo todo mês. Filtro entupido reduz a troca de calor e o aparelho demora mais para chegar na temperatura. Uns 5%, 8 kWh. Água, escova e 10 minutos.

Ventilação cruzada: o ar-condicionado que custa zero

Janelas abertas em lados opostos da casa com cortinas ao vento
Abrir janelas opostas no fim da tarde tira o calor acumulado antes de ligar qualquer aparelho.

A casa brasileira esquenta de dia e segura o calor de noite. Ventilação cruzada é abrir duas aberturas em lados opostos (janela da frente e dos fundos, ou janela e porta da área) para o vento atravessar. Funciona quando o ar de fora está mais fresco que o de dentro, o que acontece quase toda noite depois das 21h, mesmo em cidade quente.

A rotina: cortinas e janelas fechadas das 11h às 18h, para o sol não entrar; tudo aberto das 20h em diante, com o ventilador apontado para a janela, empurrando o ar quente para fora. Em meia hora o quarto cai 2 °C a 3 °C, e o ar-condicionado, quando ligar, parte de uma temperatura menor. Em apartamento com uma face só, a porta do quarto aberta e a janela da sala fazem o mesmo papel. Película ou cortina blackout na janela que pega sol da tarde completa o serviço.

Geladeira no calor: o vilão silencioso de janeiro

A geladeira é o único aparelho que trabalha mais no verão sem ninguém mexer nela. Com a cozinha a 32 °C, o compressor roda mais tempo para manter os 4 °C de dentro, e o consumo sobe de 10% a 20%: de 45 kWh para 50 a 54 numa duplex classe A, de 100 para 110 a 120 numa geladeira velha.

Se a geladeira tem mais de 15 anos, o verão é quando a troca mais se justifica: a diferença entre 110 e 50 kWh por mês são R$ 54, e a geladeira nova de R$ 2.500 se paga em uns 4 anos só na luz. Mais em quanto gasta uma geladeira.

Bandeira tarifária no verão: o que esperar

A bandeira tarifária é o adicional que a ANEEL põe na conta de todo mundo quando o país precisa ligar termelétricas. Em 2026 ela custa R$ 1,885 por 100 kWh na amarela, R$ 4,463 na vermelha patamar 1 e R$ 7,877 na vermelha patamar 2, antes de impostos. Numa casa de 400 kWh num mês de verão, isso vai de R$ 7,54 (amarela) a R$ 31,51 (vermelha 2).

O histórico ajuda a planejar. A bandeira costuma apertar entre agosto e novembro, quando os reservatórios das hidrelétricas chegam ao fundo depois da estação seca e antes das chuvas de verão: em 2025 foi vermelha de agosto a novembro. Em 2026 o ano começou verde, ficou amarelo de maio a setembro, cinco meses seguidos, e voltou a verde em outubro, porque as chuvas no Sul e no Sudeste recuperaram os reservatórios. A bandeira de novembro sai em 30 de outubro, a de dezembro em 27 de novembro e a de janeiro de 2027 em 23 de dezembro. A página de bandeira tarifária é atualizada no dia de cada anúncio.

Se as chuvas de novembro e dezembro vierem bem, a tendência é verde ou amarela de dezembro a março; se atrasarem, a vermelha pode voltar no mês do ar-condicionado. Previsão para meses à frente é chute, como 2026 provou (as previsões de vermelha de junho a setembro não se confirmaram). O que vale é o anúncio mensal.

E um detalhe que quase ninguém conta: a bandeira incide por kWh consumido da distribuidora. Na energia por assinatura, a parte do consumo que vira crédito da usina deixa de pagar o adicional da bandeira; ele continua só sobre o custo de disponibilidade (30, 50 ou 100 kWh). Numa casa de 400 kWh monofásica em mês de bandeira vermelha 2, são R$ 29 a menos de bandeira, somados ao desconto de 10% a 20% sobre a energia compensada. Não é "zerar a bandeira", é reduzir a exposição a ela.

O plano de dezembro a março

O verão não se economiza em janeiro, quando a conta chega. Se economiza em novembro, quando o ar ainda está desligado.

Novembro (antes do calor). Limpe o filtro do ar e, se o aparelho tem mais de 3 anos sem manutenção, chame o técnico para a carga de gás e a serpentina: ar com gás baixo roda o dobro para o mesmo frio. Timer da bomba da piscina em 4 horas por dia. Teste a borracha da geladeira. Compre um ventilador de teto para o quarto, se não tem: R$ 150 a R$ 300, e vai substituir o ar em um terço das noites. Veja a bandeira de dezembro no dia 27.

Dezembro (luzes e festa). Pisca-pisca incandescente de 100 lâmpadas puxa uns 40 W; a versão LED, 6 W. Seis horas por noite no mês inteiro: 7,2 kWh contra 1,1 kWh, R$ 5,50 de diferença por cordão. Na festa, ventilador de teto e janelas abertas até os convidados chegarem.

Janeiro (o mês do ar). É aqui que a conta decide. Timer, 23 °C, porta fechada e filtro limpo nas noites de ar; ventilador nas noites até 27 °C. Chuveiro na posição verão o mês inteiro: 30% a menos, uns 26 kWh numa família de 4, R$ 23,76. Geladeira no meio do termostato. Quando a conta de dezembro chegar, anote o kWh: é a sua linha de base.

Fevereiro (ajuste fino). Compare o kWh de janeiro com o de dezembro. Se subiu mais de 100 kWh e a casa tem um ar só, ele está rodando mais do que você pensa: teste uma semana com o timer em 5 horas. Se subiu e não tem ar, procure um aparelho esquecido (freezer da área, bomba) ou teste fuga de energia.

Março (a saída do verão). As noites voltam a cair abaixo de 25 °C na maior parte do Centro-Sul e o ventilador dá conta da maioria delas. É o mês de fazer a simulação da assinatura com a conta de janeiro ou fevereiro na mão, a mais alta do ano: o desconto, que começa de 60 a 90 dias depois do cadastro, chega no começo do inverno, e a conta de referência mostra o número no mês mais pesado.

Sobre a assinatura: não tem placa, obra, taxa de adesão nem troca de distribuidora. Você passa a receber dois boletos, o da distribuidora, menor, e o da usina, com desconto, somando menos que a conta antiga. A saída não tem multa, mas tem aviso prévio de 90 dias. Não acumula com a Tarifa Social. E conta abaixo de R$ 150 a R$ 200 por mês não compensa.

Perguntas frequentes

Ar-condicionado ou ventilador: qual gasta mais energia?

O ar-condicionado, de 5 a 11 vezes mais pelo mesmo tempo. Ventilador de 100 W por 8 horas gasta 0,8 kWh por noite; um split de 12.000 BTUs inverter, cerca de 4,4 kWh; um convencional, 8,8 kWh. No mês, R$ 21,60 contra R$ 118,80 e R$ 237,60 a R$ 0,90 por kWh.

Qual a temperatura ideal do ar-condicionado para economizar?

23 °C. Cada grau abaixo disso sobe o consumo em até 3,5%, segundo a Abrava; de 18 °C para 23 °C a diferença chega a 17,5%. Com timer para desligar 2 horas antes de acordar e porta fechada, o ajuste corta um terço do consumo do ar sem desligar nenhuma noite.

Por que a conta de luz sobe tanto no verão?

Pelo ar-condicionado, que pode consumir mais que o resto da casa, pela geladeira, que trabalha 10% a 20% mais no calor, e, em alguns anos, pela bandeira amarela ou vermelha, que adiciona de R$ 1,885 a R$ 7,877 por 100 kWh. Numa casa de 400 kWh em janeiro, o ar sozinho pode responder por 264 kWh.

Qual vai ser a bandeira tarifária no verão de 2026 para 2027?

Ninguém sabe antes do anúncio mensal da ANEEL, que sai no fim do mês anterior (30 de outubro para novembro, 27 de novembro para dezembro, 23 de dezembro para janeiro). Em 2026, depois de cinco meses de amarela, outubro voltou a verde com a recuperação dos reservatórios. Se as chuvas de novembro e dezembro vierem normais, a tendência é verde ou amarela no verão.

Energia por assinatura paga bandeira tarifária?

Em parte. A bandeira deixa de incidir sobre a energia que vira crédito da usina e continua sobre o custo de disponibilidade (30, 50 ou 100 kWh) cobrado pela distribuidora. Numa casa de 400 kWh em mês de bandeira vermelha 2, são cerca de R$ 29 a menos de adicional, além do desconto de 10% a 20% sobre a energia compensada.

Faça a manutenção em novembro, ponha o timer em janeiro, troque o ar pelo ventilador nas noites que permitem, e leve a conta de janeiro para a simulação da assinatura. O verão caro é o que se decide no escuro, às 2 da manhã, a 18 °C.

PL
Equipe Pagar Menos na Luz

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