Quanto gasta uma geladeira por mês: kWh por etiqueta e tamanho, e quando vale trocar a antiga (2026)

Uma geladeira duplex nova, com etiqueta A do Inmetro, gasta de 40 a 55 kWh por mês, o que dá de R$ 36 a R$ 50 na conta de luz a R$ 0,90 por kWh. Uma geladeira pequena de uma porta fica entre 25 e 35 kWh, R$ 22 a R$ 32. Uma geladeira com mais de 15 anos, borracha cansada e compressor que quase não desliga, passa fácil de 100 kWh, R$ 90 por mês, e pode chegar a 150.
A geladeira é o terceiro maior gasto de quase toda casa brasileira, atrás do chuveiro e, onde existe, do ar-condicionado. Não por ser potente, porque o compressor tem de 100 a 300 W, menos que um secador de cabelo, mas porque é o único aparelho que nunca desliga. Na média da EPE, a geladeira responde por 368 kWh por ano por domicílio, cerca de 31 kWh por mês; o número mistura frigobar e side by side, então serve para o país, não para a sua cozinha.
Aqui no Pagar Menos na Luz todas as linhas vêm com a premissa aberta, como no nosso ranking do que gasta mais energia. A tarifa usada é R$ 0,90 por kWh, perto da mediana das distribuidoras em outubro de 2026 (Cemig, R$ 0,9033, ANEEL).
Por que não dá para calcular a geladeira com potência vezes 24 horas?
Para quase todo aparelho, a conta é potência em watts vezes tempo de uso. Para a geladeira isso dá errado, e é por isso que você encontra na internet a mesma duplex com 45, 90 e 144 kWh por mês. O compressor de 200 W não roda 24 horas: ele liga até o interior atingir a temperatura, desliga, e volta quando a porta abre ou o calor entra pelas paredes. Numa geladeira nova e bem vedada, ele trabalha de 6 a 10 horas por dia. Multiplicar 200 W por 24 horas dá 144 kWh; multiplicar por 8 horas dá 48 kWh, que é o que a etiqueta mostra.
Por isso, para geladeira e freezer, o número certo é o da etiqueta do Inmetro, medido em laboratório e impresso em kWh por mês na porta do aparelho. Na vida real, com porta abrindo e cozinha quente, o consumo fica de 10% a 30% acima da etiqueta, e essa folga é o que os hábitos lá embaixo controlam.
Quanto gasta uma geladeira por tipo e tamanho
A tabela abaixo junta as faixas das etiquetas dos modelos à venda em 2026 e as médias por tipo que o Idec publicou a partir de dados da Eletrobras (1 porta 25,2 kWh; 1 porta frost free 39,6; duplex 48,2; duplex frost free 56,9). Reais a R$ 0,90 por kWh.
| Tipo | Volume | kWh/mês (etiqueta) | R$/mês a R$ 0,90 |
|---|---|---|---|
| Frigobar | 50 a 120 L | 15 a 25 | R$ 13,50 a R$ 22,50 |
| 1 porta, degelo manual | 240 a 300 L | 20 a 30 | R$ 18,00 a R$ 27,00 |
| 1 porta frost free | 300 a 350 L | 30 a 40 | R$ 27,00 a R$ 36,00 |
| Duplex com degelo no freezer | 350 a 420 L | 35 a 50 | R$ 31,50 a R$ 45,00 |
| Duplex frost free | 400 a 500 L | 40 a 60 | R$ 36,00 a R$ 54,00 |
| Inverse (freezer embaixo) | 450 a 550 L | 45 a 65 | R$ 40,50 a R$ 58,50 |
| Side by side | 500 a 600 L | 55 a 90 | R$ 49,50 a R$ 81,00 |
| French door | mais de 500 L | 60 a 100 | R$ 54,00 a R$ 90,00 |
| Qualquer tipo com mais de 15 anos | 80 a 150 | R$ 72,00 a R$ 135,00 |
Dentro do mesmo tipo, cada 100 litros a mais custam de 5 a 10 kWh por mês: geladeira maior do que a família usa é R$ 5 a R$ 9 por mês para gelar ar. O frost free gasta de 20% a 30% a mais que o degelo manual do mesmo tamanho, mas não acumula gelo, e gelo grosso faz o manual gastar mais com o tempo.
O que a etiqueta de A a E diz (e o que mudou em 2026)
A etiqueta do Inmetro compara aparelhos da mesma categoria e do mesmo tamanho. Uma geladeira A de 500 litros gasta mais que uma C de 250 litros; a letra diz que ela é eficiente para o tamanho dela, não que é econômica em termos absolutos. Para o bolso, o que importa é o kWh por mês impresso na etiqueta.
Na regra antiga, as letras iam de A a E, e cada letra pior consumia na faixa de 8% a mais que a anterior. Para uma duplex frost free de 400 litros, com a premissa de degraus de 8%:
| Etiqueta | kWh/mês | R$/mês a R$ 0,90 | Diferença para a A no ano |
|---|---|---|---|
| A | 45 | R$ 40,50 | |
| B | 49 | R$ 44,10 | R$ 43 |
| C | 53 | R$ 47,70 | R$ 86 |
| D | 57 | R$ 51,30 | R$ 130 |
| E | 62 | R$ 55,80 | R$ 184 |
A escala antiga ficou frouxa: segundo levantamento do Idec, 346 dos 383 refrigeradores avaliados pelo Inmetro eram classe A, e a letra parou de separar bom de ótimo. Por isso o Inmetro mudou a etiqueta em 1º de janeiro de 2026: para refrigeradores, as classes passaram a ir só de A a C, com exigência mínima mais dura, e a etiqueta nova destaca o kWh por mês, o volume útil e a temperatura do freezer. Em 2026 as duas etiquetas convivem no estoque das lojas. Não compare a letra de uma com a da outra; compare o kWh por mês.
Geladeira antiga x nova: quando a troca se paga

Essa é a pergunta que vale dinheiro, e a resposta depende de quanto a sua geladeira atual gasta de verdade. A conta de payback é simples: preço da nova dividido pela economia por ano. As premissas aqui: geladeira nova duplex frost free de 400 litros, etiqueta A, 45 kWh por mês, a R$ 2.500 (preço comum em 2026 para essa faixa; ajuste pelo que você encontrar), e tarifa de R$ 0,90.
| Consumo da geladeira atual | Economia por mês | Economia por ano | Troca se paga em |
|---|---|---|---|
| 70 kWh (modelo de 8 a 10 anos, bem cuidado) | 25 kWh, R$ 22,50 | R$ 270 | 9 anos e 3 meses |
| 100 kWh (mais de 15 anos, uso normal) | 55 kWh, R$ 49,50 | R$ 594 | 4 anos e 2 meses |
| 130 kWh (antiga, borracha ruim, gelo grosso) | 85 kWh, R$ 76,50 | R$ 918 | 2 anos e 9 meses |
| 150 kWh (antiga, compressor quase sem desligar) | 105 kWh, R$ 94,50 | R$ 1.134 | 2 anos e 2 meses |
A leitura: geladeira com menos de 10 anos e funcionando bem não compensa trocar por economia; a nova leva quase uma década para se pagar. Com mais de 15 anos, a troca se paga em 2 a 4 anos, e uma geladeira dura de 10 a 15. É um dos poucos eletrodomésticos em que a troca por eficiência é bom negócio por conta própria.
Três cuidados para a conta fechar. Primeiro, descubra o consumo real da atual em vez de chutar: um medidor de tomada (wattímetro, de R$ 50 a R$ 100 em loja de material elétrico) ligado por 24 horas dá o kWh do dia; multiplique por 30. Sem medidor, os sinais de geladeira acima de 100 kWh são compressor mais tempo ligado do que desligado, gelo que passa de 1 cm em poucas semanas, borracha que não segura uma folha de papel e traseira quente demais para tocar. Segundo, a geladeira velha precisa sair de casa. Se ela vai para a área de serviço "só para bebida", você passa a pagar as duas e a economia vira prejuízo de R$ 40 a R$ 90 por mês. Terceiro, se a tarifa da sua distribuidora é maior que R$ 0,90 (Enel RJ cobra R$ 1,06, Equatorial Pará R$ 0,98), o payback encurta na mesma proporção.
Hábitos que mudam a conta da geladeira
Nenhum desses hábitos aparece em medição pública confiável, apesar dos percentuais que circulam ("20% a mais com a porta aberta"). O que dá para afirmar é o mecanismo e a ordem de grandeza: numa geladeira malcuidada, a soma deles aparece no wattímetro como 10 a 20 kWh a mais por mês, R$ 9 a R$ 18. Em ordem do que mais pesa:
- Borracha da porta. Prenda uma folha de papel na porta fechada e puxe. Se sair sem resistência, o ar quente entra o dia inteiro. Borracha nova custa de R$ 60 a R$ 150 e é a manutenção com melhor retorno da casa.
- Degelo. Em geladeira de degelo manual, descongele quando a camada passar de 1 cm. Gelo é isolante entre o frio e a comida.
- Posição. Longe do fogão, do forno e do sol da janela.
- Espaço atrás e dos lados. De 10 a 15 cm livres atrás e 5 cm dos lados para a serpentina (a grade preta de trás) dissipar calor. Nunca use a traseira para secar pano ou roupa.
- Comida quente. Deixe esfriar antes de guardar.
- Termostato. De 3 a 5 °C na geladeira e -18 °C no freezer bastam. Botão no máximo não conserva melhor, só gasta mais.
- Porta aberta. Decida o que vai pegar antes de abrir, e não forre as prateleiras, porque toalha e plástico atrapalham o ar frio.
E dois mitos. Desligar a geladeira à noite não economiza: de manhã o compressor roda horas seguidas para recuperar o frio perdido, o gasto volta e a comida estraga. Geladeira cheia gastar menos é meia verdade: alimentos gelados seguram a temperatura quando a porta abre, mas geladeira entupida impede o ar de circular. O ponto certo é cheia sem bloquear as saídas de ar.
Freezer e frigobar: o segundo aparelho que você esquece
O freezer horizontal da área é a geladeira esquecida de muita casa. Um modelo de 300 a 400 litros gasta de 45 a 70 kWh por mês (48 kWh na linha do nosso ranking, com compressor de 200 W rodando 8 horas por dia), R$ 40 a R$ 63. Freezer vertical de 200 litros, de 40 a 55 kWh. Ele compensa quando está cheio; freezer com dois sacos de gelo e um pote de sorvete custa R$ 40 por mês para guardar gelo.
O frigobar é um dos aparelhos menos eficientes por litro: de 15 a 25 kWh por mês, R$ 13,50 a R$ 22,50, para 50 a 120 litros. Num quarto, ligado o ano inteiro, são R$ 160 a R$ 270 por ano. Se o uso é só em visita ou no verão, desligue, limpe e deixe a porta entreaberta no resto do ano. E a segunda geladeira na área, a velha que ficou depois da troca, é a pior combinação: ineficiente, quase vazia, em ambiente quente, R$ 70 a R$ 135 por mês.
Como medir a sua geladeira em casa

- Olhe a etiqueta do Inmetro na porta ou no manual e some 10% a 30% para a vida real.
- Sem etiqueta, ligue um wattímetro de tomada por 24 horas e multiplique o kWh por 30.
- Sem medidor, anote por uma hora quantos minutos o compressor fica ligado. Compressor de 200 W ligado 25 minutos por hora: 200 × 25 ÷ 60 × 24 × 30 ÷ 1.000 = 60 kWh por mês.
- Compare com a conta. Numa casa de 250 kWh, a geladeira nova é 18% da conta; a antiga de 130 kWh, mais da metade. Se a soma dos aparelhos não bate com a conta, cheque fuga de energia.
A calculadora de consumo de energia faz essa conta com a tarifa da sua distribuidora, e a tabela de consumo de aparelhos tem as outras linhas da casa para somar.
Depois de acertar a geladeira, sobra o preço do kWh, que subiu 46% na Cemig desde 2020 e não obedece a hábito. Para pagar menos por cada kWh sem mudar nada em casa, existe a energia por assinatura: uma usina solar injeta energia na rede da sua distribuidora, ela vira crédito na sua conta e você paga por essa energia com desconto de 10% a 20% conforme o estado, sem placa, sem obra e sem trocar de distribuidora. O desconto vale sobre a parte compensável da conta, começa de 60 a 90 dias depois do cadastro e não acumula com a Tarifa Social.
Perguntas frequentes
Quantos kWh gasta uma geladeira por mês?
Depende do tipo, do tamanho e da idade. Uma duplex frost free nova com etiqueta A gasta de 40 a 60 kWh por mês; uma de uma porta, de 20 a 40; um side by side, de 55 a 90. Geladeiras com mais de 15 anos ficam entre 80 e 150 kWh. O número certo para o seu modelo está na etiqueta do Inmetro, em kWh por mês.
Geladeira gasta muita energia?
É o terceiro maior gasto da maioria das casas, atrás do chuveiro e do ar-condicionado. Uma geladeira nova custa de R$ 36 a R$ 54 por mês a R$ 0,90 por kWh, cerca de 18% de uma conta de 250 kWh. Uma antiga pode custar R$ 90 a R$ 135 e virar o maior gasto da casa.
Geladeira antiga gasta mais que a nova?
Sim, e muito. Modelos com mais de 15 anos consomem de duas a três vezes mais que uma duplex A atual, por causa de compressor menos eficiente, isolamento pior e borracha gasta. A diferença fica entre 55 e 105 kWh por mês, R$ 50 a R$ 95.
Vale a pena trocar a geladeira antiga para economizar energia?
Se ela tem mais de 15 anos, em geral sim: uma nova de R$ 2.500 se paga em 2 a 4 anos só com a economia na conta, e dura de 10 a 15. Se tem menos de 10 anos e funciona bem, não: a economia fica perto de R$ 20 por mês e a troca leva quase uma década para se pagar. Meça o consumo da atual com um wattímetro antes de decidir.
Desligar a geladeira à noite economiza energia?
Não. Quando ela religa de manhã, o compressor roda horas seguidas para tirar todo o calor que entrou, e o consumo do dia fica igual ou maior. Além disso, a comida passa horas acima da temperatura segura. O que economiza é borracha vedando, geladeira longe do calor e porta aberta menos tempo.
O que gasta mais, geladeira ou freezer?
Em geral empatam. Um freezer horizontal de 300 a 400 litros gasta de 45 a 70 kWh por mês, na mesma faixa de uma duplex nova. A diferença é que o freezer costuma ficar na área de serviço, mais quente, e meio vazio, o que o torna mais caro por litro usado.
Olhe o kWh na etiqueta, meça a antiga antes de trocar, e não deixe a velha virar a segunda geladeira da área. O resto, borracha, espaço atrás e porta fechada, é manutenção de 10 minutos que segura R$ 10 a R$ 20 por mês.
Site mantido por um licenciado independente da Hive Energy. Escrevemos sobre conta de luz, tarifas e energia por assinatura com a conta aberta: a premissa de cada número e a fonte de cada tarifa. Saiba mais.



